Um Cão no Palácio Fúcsia
Um Cão no Palácio Fúcsia

Sugestão: Se estiveres a ler no telemóvel, recomendo que atives a rotação do ecrã e leias com o telemóvel na horizontal para uma experiência de leitura mais confortável.

 

© 2025 Rui Péricles. Todos os direitos reservados.

 

O inverno passado encontrou-me a viver nas ruas de Náutila.

Dormia atrás da Torre de Náutila. Com oitenta metros de altura, era o edifício mais alto da cidade. Tinha um relógio e, mais abaixo, um sino, cujas badaladas me acordavam todas as manhãs às sete horas.

O meu único amigo era o Diego, o dono da charcutaria ao lado do beco em que eu acampava. Às vezes, quando se sentia generoso, levava-me alguns enchidos. Quando se sentia extra generoso, pagava-me um copo no bar Inortodoxo.

Naquele dia, além de umas rodelas de salame, trouxe-me uma boa notícia que me deixou igualmente a salivar. O Diego disse-me que encontrara um anúncio online para um “serviço sigiloso” pelo qual pagavam a quantia de vinte mil euros.

Naturalmente, perguntei ao bom velho Diego porque não respondia ele ao anúncio.

- Gente rica – disse ele, coçando a pança peluda que tinha o hábito constrangedor de espreitar por baixo da t-shirt branca manchada de suor. – As coisas normais aborrecem-nos. Estão mortos por dentro. Precisam de cenas maradas para se sentirem vivos e entretidos. Estão... como é que se diz? Des...

- Dessensibilizados – completei.

Pois é, meus amigos. Letrado e sem-abrigo não se excluem mutuamente.

Pedi ao Diego para responder ao anúncio por mim e, no dia do “serviço sigiloso”, ele deixou-me tomar um duche e fazer a barba no apartamento dele.

A minha barba tinha conquistado o território sul da minha cara e mal reconheci o rosto limpo que me fitava no espelho. O Diego emprestou-me uma tesoura e eu tentei aparar o meu cabelo desenvolto o melhor que podia. Torci o nariz ao ver as borbulhas na minha testa – aqueles enchidos todos não estavam a fazer favores nenhuns à minha pele. No fim, podia não parecer um homem de negócios, mas se o estilo “sem-abrigo chique” alguma vez se tornar uma tendência, eu vou reclamar a sua autoria.

O Diego até me chamou um táxi para me levar ao destino – o Palácio Fúcsia - com a condição de eu repartir com ele cinco por cento dos vinte mil euros.

Quando cheguei, saí ansiosamente do táxi.

O portão mais alto que eu alguma vez vira – e o mais cor-de-rosa, também – erguia-se por cima de mim, parecendo rasgar as nuvens e separando o meu pequeno mundo do que parecia um novo universo. Um universo desconhecido, garrido... e deliciosamente rentável para mim.

Premi o botão da campainha ao lado do portão e este abriu-se de par em par, convidando-me a entrar naquela dimensão bizarra que atacava todos os meus sentidos.

Estava diante de uma mansão cilíndrica, com a estrutura de um bolo de casamento, de vários andares, toda ela pintada de rosa-choque. No quintal, havia uma fonte com a estátua de um flamingo com dois quartzos rosa no lugar dos olhos. O flamingo inclinava a cabeça para trás, como que a rir-se de uma piada particularmente boa, e água jorrava-lhe do bico de pedra, formando um mini arco-íris à luz do sol.

Magnólias repletas de flores cor-de-rosa, formando uma floresta densa e sufocante, ladeavam um caminho de cascalho cor-de-rosa que conduzia à casa. Pisei o cascalho, que estalou debaixo dos sapatos que o Diego me emprestara. Senti os olhos sem vida do flamingo postos em mim enquanto passava por ele. Pingos de água gelada salpicaram-me a cara.

A porta da frente abriu-se antes que eu a alcançasse.

Na soleira, estava uma mulher que parecia ter saído de um sonho febril. Era loira, com cabelo ondulado pelos ombros, e usava o vestido de látex rosa-choque mais justo que eu já vira. Na mão com unhas pintadas de magenta, segurava um copo de rosé que refletia o brilho do sol. Dirigia-me um sorriso que evidenciava o espaço entre os dois dentes da frente. Mas o aspeto mais desconcertante na aparência da mulher eram os olhos com lentes de contacto cor-de-rosa. Era como olhar para um extraterrestre – tão bizarro e intimidante que baixei o olhar para as suas botas cor-de-rosa até ao joelho. Nunca na vida desejara tanto ser daltónico. Aquele conjunto fazia-a parecer uma chefe de claque de meia-idade.

- Olá – disse a minha anfitriã. – Sou a Marissa.

- Ricardo – disse eu, estendendo uma mão que ela não apertou. Odiei-a de imediato, apesar de a minha paixão pelo dinheiro dela continuar acesa.

A Marissa afastou-se para eu passar. Entrei, sentindo o seu olhar rosado perscrutar cada centímetro do meu corpo.

Dei por mim numa sala enorme, com paredes e chão em mármore branco. O meu olhar foi imediatamente atraído para uma grande porta de aço na parede em frente, que não disfarçava muito bem o facto de ser um cofre. Um pequeno ecrã táctil estava ao lado da porta. Ao meu lado direito, no canto, um pinheiro de Natal iluminado com várias cores fazia cócegas no teto.

Sobressaltei-me ao ver um homem idoso ao lado do pinheiro a olhar fixamente para mim. Usava uns óculos de aros retangulares e tinha um bigode grisalho. Era tão magro que bem podia ser um esqueleto de smoking.

- Boa tarde – disse eu, tentando ser educado.

O homem não respondeu, limitando-se a olhar para mim sem pestanejar.

- Mais vale falar com a parede – disse a Marissa, fechando a porta da entrada atrás de mim. – É uma estátua de cera do meu falecido marido. Encomendei-a ao Madame Tussaud’s depois de ele morrer. Nunca gostei muito do velho sapo, mas era como se fizesse parte da mobília... e agora faz mesmo!

Fez uma pausa para eu me rir, mas não quis fazer-lhe a vontade. Ainda estava ressentido por ela não me ter retribuído o aperto de mão. O silêncio constrangedor foi quebrado pelas unhas dela a bater no copo de rosé, produzindo um leve tilintar.

Do lado esquerdo da sala ampla, havia uma longa mesa de jantar coberta com uma toalha cor-de-rosa em frente a uma requintada lareira de mármore. Da prateleira da lareira, pendiam três meias fundas de lã multicolor.

Do lado direito, entre a porta do cofre e o pinheiro, havia um sofá de cetim (adivinhem a cor) diante de uma televisão descomunal que repousava sobre uma cómoda de mogno. A Marissa dirigiu-se à cómoda, baixou-se, fazendo o vestido de látex chiar, e retirou uma folha de papel e uma caneta de uma gaveta.

- Receio que tenha de assinar um contrato de confidencialidade – disse ela. – Não quero que conte a ninguém o que se vai passar aqui hoje.

Aquilo espicaçou a minha curiosidade, assim como aumentou o meu receio. Assinei sem ler. Não queria perder tempo. Estava pronto para ganhar dinheiro.

A Marissa olhou para a minha assinatura com um brilho empoderado no olhar e voltou a guardar o papel. Depois, virou-se para mim.

- Dispa-se – ordenou.

Desejei que não se tratasse de nada sexual. A Marissa não fazia de todo o meu género. Resignado, despi-me, tentando pensar apenas no dinheiro. O olhar dela – tão gelado que senti os tomates encolher – percorreu o meu corpo nu.

- Ponha-se de quatro – comandou ela.

Fiz o que ela mandou, as minhas mãos suadas espalmadas contra o mármore frio do chão, estranhamente ciente do meu rabo a descoberto.

Marissa baixou-se e fez-me cócegas debaixo do queixo. As suas unhas cor-de-rosa arranharam-me a pele.

- És um cãozinho lindo, não és? – disse ela.

Então era disso que se tratava. A rica dessensibilizada queria apenas tratar outro ser humano como um animal - porque podia. O dinheiro dela permitia-lhe isso. Era um jogo bizarro de poder. Era degradante para mim, mas pelo menos nunca ninguém saberia. Apenas teria de viver com aquele segredo humilhante para o resto da vida, assombrado durante os momentos de vigília e durante o sono por aquela memória, mas era o preço que tinha de pagar pelos vinte mil euros. E se havia coisa que eu era, era um cão ganancioso.

A Marissa estava agora a colocar uma coleira preta bastante apertada no meu pescoço.

- Ladra para a mamã!

- Ão, ão! - Soltei dois latidos possantes, do fundo do peito.

- Lambe os tomates para mim.

Sim, eu fi-lo. Contorci-me e, por um minuto, tudo o que se ouviu foi a minha língua a raspar no meu escroto hirsuto, para deleite da Marissa.

Acreditar que estava apenas a desempenhar um papel e não tinha qualquer controlo sobre o guião foi a forma que escolhi para me dissociar daquilo. Era apenas um ator – muito bem remunerado – imerso na personagem. Tão imerso que podia praticamente sentir a minha cauda imaginária a abanar.

- Merda, tenho o copo vazio – disse a Marissa. – Vou à cozinha buscar mais rosé. Fica! Fica! Fica!

E eu fiquei - nu, de gatas, sozinho na sala mais sumptuosa em que já tinha estado. Senti-me estranhamente observado pela estátua e o meu olhar caiu sobre um anel reluzente na mão da estátua. Tinha uma pedra verde engastada e eu apostava duas festinhas na barriga que era uma esmeralda.

O anel arrancou-me da mentalidade canina e devolveu-me à realidade em que eu era um homem indigente a humilhar-se pelas migalhas da fortuna de uma milionária. Aquele anel seria muito mais útil na minha mão do que na mão da estátua. Teria de sair da personagem por uns momentos e apoderar-me dele, antes que a Marissa voltasse.

Olhei para o corredor. Não havia sinal da mulher. Era agora ou nunca.

Levantei-me... e senti o meu pescoço explodir.

Uma descarga elétrica percorreu o meu corpo, sacudindo-o como um viciado em crack a dançar numa rave. Caí para o chão, cada segundo uma eternidade, a estrebuchar no mármore. Quando acabou, fiquei a ofegar, deitado de bruços.

Ouvi uma série de passos no corredor a correr na minha direção. A Marissa tinha um sorriso sádico no rosto e um pequeno comando na mão.

- Cão mau! – gritou. – Cão mau! Eu disse “fica”!

Queria perguntar-lhe como raio é que ela sabia que eu me tinha levantado, mas não podia simplesmente quebrar o protocolo dos cães e começar a falar. Arriscava-me a sofrer um novo choque. De qualquer maneira, não foi preciso perguntar. Ela apontou para um canto no teto. Uma pequena câmara tinha o seu olho fixo em mim.

- Transmissão direta para o meu telemóvel – disse ela. – É melhor seres um bom cão, ou frito-te até ires para o céu dos cachorrinhos. - Fez uma pausa para deixar a ameaça pairar no ar. - Agora levanta-te, rafeiro patético. Vamos para o quintal das traseiras brincar à apanhada.

Aquilo não soava muito mal. Retomei a minha posição de gatas, sentindo cada músculo dorido protestar, e soltei um gemido involuntário que soou mesmo como um ganido.

Segui a Marissa pelo corredor, a gatinhar.

Atravessámos a cozinha e saímos para o quintal das traseiras, que revelou ser um cemitério privado. Lápides cinzentas projetavam-se da relva verde como toupeiras imóveis num jogo de bater na toupeira. O espaço era delimitado por um bosque denso. Numa extremidade, havia um barracão e, na outra, um mausoléu cor-de-rosa. Não creio que o local de repouso final importe muito para alguém que está morto, mas eu jamais descansaria em paz se fosse sepultado num sítio com uma cor tão berrante.

- A cripta do meu marido – disse a Marissa, seguindo o meu olhar para o mausoléu. – Este cemitério está na minha família há gerações. Ele, obviamente, sentia que merecia mais do que uma lápide. Deixou-o escrito no testamento. Exigiu uma cripta, mas não especificou detalhes, por isso fi-la à minha maneira.

Começou a dirigir-se para a cripta. Não ousei mexer-me sem a autorização dela. A coleira apertada à volta do meu pescoço mantinha a ameaça de um choque iminente. Vi-a entrar na cripta e, quando saiu, trazia algo comprido na mão.

Enquanto ela se aproximava, tentei discernir o objeto. Os meus olhos hesitaram entre um pau e uma bengala, até se tornar claro que se tratava de um osso humano. A forma não deixava margem para dúvidas. Era um fémur – o maior osso do corpo humano.

- Apanha! – gritou a Marissa, e atirou o osso por cima da minha cabeça.

Aquela mulher queria que eu brincasse à apanhada com um osso do marido defunto.

O fémur aterrou entre duas lápides, uns metros atrás de mim. Corri como um cão, sentindo a relva gelada debaixo das mãos e dos pés, e abocanhei o osso. Era áspero e poeirento.

Corri para a Marissa, que me tirou o osso da boca e voltou a atirá-lo para longe. Perdi a conta às vezes que fez aquilo. Cansado, arquejei com a língua fora da boca, como um cão faria. O frio queimava-me as costas.

Doía-me o maxilar de todas as vezes que abrira a boca para encaixar o osso entre os meus dentes. Queria que aquilo parasse, mas a Marissa estava claramente a divertir-se demasiado.

O sol estava a pôr-se quando ela decidiu pôr fim à brincadeira e foi devolver o fémur ao seu legítimo dono.

- Tem sido um dia em cheio! – exclamou ela ao sair da cripta. – E agora, está na hora da pièce de résistance. - O francês soava como uma língua tenebrosa na boca dela.

A Marissa dirigiu-se ao barracão de madeira e abriu a porta com uma lentidão teatral.

Lá dentro, aninhado nas sombras, estava outro homem nu. Era mais velho do que eu, e com excesso de peso.

Senti compaixão pelo homem, bem como um certo alívio por eu já não estar sozinho naquela situação. Ao mesmo tempo, fui dominado pelo embaraço, mesmo que o homem estivesse igualmente emasculado.

- Dois cães, uma recompensa – disse a Marissa. O seu sorriso sádico atingiu uma nova dimensão. – Vão lutar até um de vocês morrer. O sobrevivente reclamará o prémio de vinte mil euros.

O outro homem começou a rosnar. Eu imitei-o, só para ter alguma coisa que fazer enquanto pensava desesperadamente numa maneira de sair daquela situação.

Embora ele tivesse arreganhado os dentes, a agressividade não se estendia ao seu olhar. Os olhos pareciam implorar por ajuda.

- Quem é um cãozinho raivoso? Quem é? – perguntou a Marissa.

- Eu mostro-te o que é raiva! – gritou uma voz masculina vinda da entrada da cozinha.

A estátua do idoso que tinha estado na sala – e que, aparentemente, não era estátua nenhuma – estava na soleira, com os braços levantados. Numa mão segurava uma coleira preta igual à minha; na outra, um pequeno comando preto.

- Agarrem-na – ordenou o homem a mim e ao outro.

Levantámo-nos os dois e cada um de nós agarrou um braço da Marissa. O idoso veio a correr na nossa direção. Enfiou a coleira pela cabeça da Marissa e apontou-lhe o comando como se fosse uma faca.

- Leva-nos ao cofre – ordenou.

- Pensei que o senhor era o marido dela – disse eu.

- Não! – exclamou o homem, indignado. – Sou um homem a quem ela pagou para fingir que era uma estátua o dia todo. Respondi a um anúncio online. Chamo-me Gustavo.

- Gostos exóticos, hã? – disse o outro homem nu, olhando para a Marissa com uma raiva mal contida. – A tua própria estátua viva e dois cães antropomórficos.

- O cofre – repetiu o homem mais velho. – Vocês os dois, não a soltem.

A Marissa soltou um suspiro de derrota e começou a dirigir-se para a casa, comigo e o outro a agarrar-lhe os braços. Perguntei ao Gustavo onde ele encontrara a coleira extra e ele disse que a cómoda tinha uma gaveta cheia delas.

Atravessámos a cozinha e fomos para a sala, onde parámos em frente à porta de aço do cofre.

- Abre – disse o Gustavo à Marissa.

Ela estendeu o dedo, a longa unha magenta a projetar-se como uma garra, e pressionou-o sobre o ecrã tátil ao lado da porta. No ecrã acendeu-se uma luz verde e a porta abriu-se.

Dentro do cofre havia maços e maços de notas até ao teto.

- Self-service, rapazes – disse o Gustavo. - Vou manietar aqui a Miss Jet Set enquanto vocês recolhem o dinheiro.

- Onde pomos o dinheiro? – perguntou o outro homem nu.

O Gustavo olhou para nós com olhos arregalados como se só naquele momento se tivesse apercebido de que estávamos desnudados. O seu olhar deteve-se nas enormes meias de Natal penduradas na prateleira da lareira do outro lado da sala. Ele dirigiu-se lá, tirou as três meias e depois deu-nos duas.

- Toca a encher.

Eu e o outro homem, que disse chamar-se Vítor, entrámos no cofre e começámos a encher as meias com o maior número de maços que conseguíamos. Pelo canto do olho, vi o Gustavo amarrar a Marissa com os fios de luzes acesas que roubara ao pinheiro. Enfiou-lhe um dos adornos da árvore, uma bola cor-de-rosa, na boca. Depois, sentou-a no sofá, iluminada dos pés à cabeça. Em seguida, o Gustavo juntou-se a nós e encheu a sua meia.

Quando as meias estavam a abarrotar, saímos do cofre.

Só então peguei nas minhas roupas e me vesti. As roupas do Vítor tinham sido enfiadas numa das gavetas da cómoda. Ele retirou-as e vestiu-se. A adrenalina e, mais tarde, o êxtase tinham-nos feito esquecer que estávamos nus.

Lançámos um último olhar à Marissa, enrolada nas luzes coloridas, sentada no sofá de cetim cor-de-rosa, com a bola cor-de-rosa enfiada na boca. Achei que a imagem daria um ótimo postal de Natal.

- Fica – disse eu. – Fica!

Batemos com a porta da frente e saímos para a noite gelada.

Abandonámos a propriedade e caminhámos até um subúrbio de Náutila, com as meias de lã pesadas ao ombro. Estava tão contente que me apetecia ladrar.

E ladrei, foda-se!

Soltei uma série de latidos e os cães da vizinhança começaram a ladrar de volta. As pessoas do subúrbio vieram aos alpendres das suas casas iluminadas ver o que se estava a passar.

Demos-lhes um bom espetáculo, eu, o Vítor e o bom velho Gustavo. Três homens a ladrar no meio da rua, a caminhar casualmente de meias ao ombro, com sorrisos de orelha a orelha.

- Feliz Natal! – gritei uma e outra vez até ficar rouco. – Ão! Ão! Ão! Feliz Natal!

 

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