O Assassino dos Dedos dos Pés
O Assassino dos Dedos dos Pés

 

© 2025 Rui Péricles. Todos os direitos reservados.

 

Débora acordou ao som da banda sonora do filme que era a sua vida.

Uma música sombria e rétro, composta de sintetizadores, parecia vir de todo o lado e de lado nenhum ao mesmo tempo.

Ficou a ver os créditos no teto. O título e o nome do realizador surgiram em letras cor de caramelo: "O ASSASSINO DOS DEDOS DOS PÉS, um filme de Krad".

Quando os créditos acabaram, de repente, estava a conduzir um carro. Era provável que tivesse tomado um duche ou escovado os dentes antes disso, mas não tinha memória de o fazer – pormenores desses não eram relevantes para o guião.

A música dos créditos tinha terminado e agora o único som era as buzinas dos automóveis à sua volta. O cabelo acobreado de Débora exalava um odor sintético a coco e caía-lhe sobre os ombros da blusa vermelha demasiado justa que alguém escolhera por ela.

Ao seu lado, no banco do passageiro, o jornal Notícias de Náutila estava aberto numa página com a notícia: ASSASSINO DOS DEDOS DOS PÉS CONTINUA À SOLTA. E, por baixo da parangona, um pequeno texto introdutório antes do corpo da notícia: Recebeu um colar com dez dedos dos pés? É um troféu da última vítima do assassino - que o marca A SI como a PRÓXIMA VÍTIMA! O artigo estava assinado com o nome de Débora.

Subitamente, sem qualquer sinal do resto da viagem, Débora entrava na redação do jornal em que "trabalhava". Foi recebida por uma cacofonia de telefones a tocar e papéis a restolhar. A maior parte dos funcionários digitava palavras em teclados com olhares absortos.

Uma estagiária morena com madeixas vermelhas e um crachá com o seu nome - CÉLIA - no peito veio apressada na sua direção com uma caneca de café fumegante.

- Bom dia, Débora – disse a estagiária com um sorriso que Débora julgou inapropriado para aquela hora da manhã.

A estagiária tropeçou nos seus sapatos de salto alto e derramou o conteúdo escaldante da caneca sobre o peito de Débora. A seda vermelha molhada da blusa materializou os seus mamilos. Dois minutos de filme e Débora já estava a ser objetificada, não fossem os espetadores perder o interesse e começar a olhar para o telemóvel.

A estagiária soltou uma torrente de pedidos de desculpa constrangidos.

- Não faz mal, Célia – disse Débora. – Eu vou limpar isto.

Célia fitou-a cabisbaixa enquanto Débora se dirigia à casa de banho da redação, que estava inundada de penumbra. A lâmpada no teto piscava sem parar, criando um efeito estroboscópico desconcertante. Um grande espelho retangular manchado convidava os funcionários a verem o quanto se pareciam com um zombie naquela iluminação.

Débora abriu a torneira, molhou a mão e limpou a mancha de café da blusa o melhor que conseguiu, e depois foi a um dos cubículos usar a sanita.

CAGAR É UMA COISA PROFUNDA, alguém escrevera com um marcador vermelho na porta. A MERDA BATE NA ÁGUA, A ÁGUA BATE NA BUNDA. E mais abaixo: SE QUERES FAZER MERDA, VIESTE AO LUGAR CERTO.

Debaixo dessas inscrições, havia um poema misterioso.

 

O tempo é uma construção

Uma estrada de eras e éons

Que sigo por segundos em obrigação

 

A felicidade é uma ilusão

A alegria uma miragem

Neurónios e sinapses em comunhão

A pintar uma imagem

 

A vida é um devaneio do Criador

Pó de estrela, evolução de Darwin

Ou uma simulação de computador

 

Eis então a questão

Isto é real ou é ficção?

 

Estava Débora a admirar a criatividade prolífica das mulheres que haviam usado aquele cubículo antes de si, quando ouviu a porta da casa de banho abrir-se com um rangido. E, em seguida, um roçagar de roupas e um arrastar de passos.

A pessoa recém-chegada caminhou até à frente do cubículo onde Débora estava e parou diante da porta. Os seus sapatos projetaram uma sombra ameaçadora no chão do cubículo. Débora aguardou, de respiração suspensa.

Uma mão dentro de uma luva escarlate empurrou um embrulho preto por baixo da porta. Tinha um lacinho encarnado e um autocolante que dizia: PARA TI, DÉBORA.

Débora fitou a caixa, ouvindo a pessoa sair apressadamente da casa de banho. Instintivamente, estendeu a mão e pegou nela. Rasgou o papel de embrulho e abriu uma caixa forrada de veludo rubro.

A música arrepiante da banda sonora começou a tocar, com o intuito de aumentar a tensão do momento. As notas dissonantes dos violinos progrediram num crescendo desenfreado quando o conteúdo da caixa foi revelado: um colar composto de dez dedos de pés com as unhas pintadas de vermelho.

Débora estremeceu. Sabia o que aquilo significava: era o novo alvo do Assassino dos Dedos dos Pés. Aquele era o modus operandi do assassino.

Este assassino em particular cortava os dedos dos pés da vítima, pintava as unhas com verniz e fazia um colar; depois oferecia o colar da última vítima à vítima seguinte como um aviso de que a morte estava a caminho. Era assim que a marcava para morrer.

Débora saiu do cubículo e foi lavar as mãos – a higiene era fundamental mesmo após receber uma ameaça de morte. Numa troca de olhares com o seu reflexo, uma ideia começou a borbulhar-lhe nos confins da mente. Não era como os outros pensamentos, plantados no seu cérebro por uma entidade externa e desconhecida. Não, este era um pensamento original, fruto do seu próprio cérebro.

Imaginou o seu reflexo a acenar-lhe para se juntar a ela do outro lado do espelho. Imaginou que por trás daqueles olhos exatamente iguais aos seus se escondiam verdades impossíveis de alcançar neste lado do espelho.

Com medo que o pensamento fosse erradicado da sua mente, agiu sem pensar duas vezes. Baixou-se e, a custo, descalçou o sapato de salto alto vermelho. Transformar aquele pensamento numa ação exigia uma força de vontade hercúlea, como nadar contra uma corrente forte, ou tentar manter os olhos abertos após se tomar demasiados comprimidos para dormir.

Cravou a ponta do salto no meio do espelho com toda a força. A superfície do espelho estilhaçou-se com o primeiro golpe; com o segundo, partiu-se em milhões de pedacinhos espelhados que choveram para o lavatório e para o chão, tinindo e retinindo. O som da liberdade... porque atrás daquele espelho esperava-a um sítio completamente novo.

O que Débora viu do outro lado do espelho semeou a dúvida na sua determinação de avançar.

Era uma sala de cinema lotada. Débora estava no local onde seria o ecrã, com centenas de olhos postos nela.

Não era altura de ter medo da ribalta. Ignorando os olhares de puro choque e sentindo-se tão bem-vinda como um rato na cozinha de um restaurante, Débora subiu desajeitadamente para o lavatório da casa de banho e passou para o outro lado.

Uma onda de sobressaltos correu o mar de pessoas.

- Volta para o filme! – gritou alguém, atirando-lhe pipocas.

- Já ouvi falar em quebrar a quarta parede – murmurou alguém – mas isto é ridículo.

Filas após filas de cadeiras estavam preenchidas com pessoas indignadas. Dos dois lados da sala, uma sequência de três portas, cada uma com um letreiro a exibir um título diferente. Uma delas dizia O Assassino dos Dedos dos Pés.

- Saiam todos daqui, agora – ribombou uma voz masculina amplificada por altifalantes espalhados pela sala.

Débora virou-se para trás e viu um homem no estrado de onde ela acabara de descer, a segurar um microfone. Tinha um chapéu de cowboy que lhe fazia sombra sobre o rosto.

As pessoas levantaram-se obedientemente e saíram da sala. Um homem idoso com um fio de muco a escorrer do nariz apalpou o braço de Débora ao passar por ela, como se quisesse certificar-se de que ela era real. Os murmúrios a toda a sua volta eram crepitantes e afiados, e penetravam os ouvidos de Débora como agulhas de pinheiro.

Quando, por fim, a sala ficou vazia, o homem voltou a falar.

- Como fizeste isto? – perguntou ele. Débora tentou falar, mas as palavras perderam-se algures no caminho do cérebro para a boca. - Tu não és real. És um avatar. O teu corpo está naquela sala. - O homem apontou para a sala cujo letreiro dizia O Assassino dos Dedos dos Pés. - Não te lembras da tua vida anterior?

Lentamente, pedaços da vida anterior de Débora começaram a formar-se-lhe no cérebro, como peças de um puzzle a compor uma imagem maior.

Viu uma cidade costeira. A cidade - a verdadeira Náutila - tinha uma escola primária. Um edifício de tijolo vermelho, no qual Débora dava aulas. Clarões do seu último dia na Terra permearam-lhe a mente. A princípio, as memórias eram distantes e etéreas, como vagos fiapos de um sonho. Mas ficaram cada vez mais precisas, incluindo pormenores ínfimos como uma das crianças a espirrar leite com chocolate enquanto se ria de uma piada.

Quando Débora saíra do trabalho – o seu trabalho na vida real, na escola - para o calor sufocante daquele dia de verão, o seu carro não arrancara. Tentara fazer com que o motor voltasse à vida inúmeras vezes, em negação de que um carro em tão bom estado pudesse simplesmente desistir da sua raison d'être.

Um automóvel deslizou com vagar ao lado do seu. Decerto o condutor apercebera-se da exasperação de Débora e ia tentar ajudar. Era um homem de meia-idade, com tufos de cabelo grisalho que assomavam por debaixo de um chapéu de cowboy.

- Problemas com o carro, menina? – perguntou ele com um sotaque indefinido, sobre a música sussurrada pelo rádio. Débora reconheceu a voz de Melânia, uma cantora de jazz nautilense.

- Sim – disse Débora.

- Posso dar-lhe boleia até ao mecânico, se quiser – disse o homem. – Acabei de deixar o meu filho na escola. Vou para casa, e o mecânico fica a caminho.

Aquele era o cenário ideal para um rapto, e Débora tinha plena noção disso.

- Obrigada - disse - mas não é preciso...

- Ofereço-lhe um gelado pelo caminho como bónus – disse o homem, aumentando a voltagem do sorriso.

O calor tórrido dissuadiu-a de recusar a boleia. Resignada, saiu do seu carro e entrou no carro do desconhecido.

- Não se deve aceitar boleia de estranhos – disse o homem, arrancando. – É uma lição que espero que tenha ensinado às crianças da escola, porque nunca mais vai voltar a vê-las.

- Deixe-me sair. - A temperatura corporal de Débora desceu instantaneamente vários graus abaixo do ar condicionado do automóvel.

- A partir do momento em que entra no carro de um desconhecido – continuou o homem como se não a tivesse ouvido – entrega-lhe o controlo total. Ele tem a sua segurança, integridade e destino nas mãos. E garanto-lhe, Débora, que não tenho boas intenções para si.

Débora estava tão concentrada em tentar não entrar em pânico que não processou o facto de ele saber o nome dela. Sabia que se renunciasse à sua dignidade e se reduzisse a um pedaço de carne choroso e ranhoso, a implorar pela vida, lhe daria exatamente o que ele queria. No que dependesse de Débora, a pila sádica dele ia continuar murcha pelo máximo de tempo possível.

Com a mão esquerda a segurar o volante do carro, o homem meteu a mão direita no bolso do peito do casaco e tirou algo. Virou-se para Débora e pressionou-lhe um pano molhado contra o nariz.

A visão de Débora foi inundada por um mar de pontinhos pretos que se transformou num oceano de negridão. A última coisa que ela viu antes de perder a consciência foi o céu azul-claro pontilhado por três ou quatro nuvens que pairavam indolentes.

O seu derradeiro pensamento não foi dirigido ao companheiro que não tinha ou aos gatos que não possuía. Não se lembrou da sua casa vazia na qual reinava um silêncio sepulcral. A sua maior preocupação era as crianças que deixaria para trás.

- Este é o meu projeto – disse o homem, de volta ao presente, na sala de cinema. – O meu nome é Krad. Rapto pessoas na cidade de Náutila, trago-as para aqui, para o Cinema Cinistro, ligo-as a um supercomputador, crio uma história e elas tornam-se personagens da história. Em cada uma destas salas, está o grupo de pessoas reais que dão vida a estas personagens. Estão todas inconscientes, claro.

Débora lembrou-se que o Cinema Cinistro estava abandonado desde 1984, quando fora inaugurado o NáutilaShopping, que tinha o seu próprio cinema integrado.

- Quem eram aquelas pessoas que estavam a assistir ao filme? - perguntou Débora. - Para quem faz isto?

- Para uma elite muito especial – disse Krad. – Pagam valores inconcebíveis para entrarem aqui e assistirem às minhas produções. O contrato de confidencialidade que assinaram concede-me o direito de os assassinar no caso de revelarem isto a alguém. Esta coleção de produções é altamente exclusiva e privada, e com o acréscimo de os protagonistas estarem aqui presos contra a sua vontade. Para estes prisioneiros que transformo em personagens, eu sou Deus.

- Antes de mim, alguma vez alguém saiu daquele ecrã?

- Não, tu foste a primeira – disse Krad. – E, com sorte, a última. Não sei ao certo o que provocou esta anomalia. Mas atrevo-me a dizer que a tua psique é mais forte que a média. Queres ver como funciona? Segue-me.

Débora seguiu-o até à porta cujo letreiro dizia O Assassino dos Dedos dos Pés, e entraram.

Um computador com um aspeto surpreendentemente anacrónico ocupava o centro da sala. Uma dúzia de de pessoas estava sentada à volta do computador, com fios ligados à testa por ventosas. Débora reconheceu o seu corpo (o que fez com que sentisse que ia vomitar e desmaiar ao mesmo tempo) e o corpo da mulher que no filme era Célia, a estagiária de madeixas vermelhas que lhe entornara o café em cima. Os outros deviam ser de algumas personagens que ainda não tinham aparecido no filme.

Não havia janelas na sala. Algo tão natural como o brilho do sol não seria bem-vindo naquele ambiente estéril e industrial.

De repente, Débora sentiu-se sugada, tal como um ímane contra a porta de um frigorífico. Quando deu conta, estava sentada na cadeira com a ventosa ligada à testa.

- Interessante – disse Krad. – Parece que o teu corpo absorveu o teu avatar. Já podes riscar “experiência fora do corpo” da tua lista de coisas a fazer antes de morrer.

O plano formou-se na cabeça de Débora sem premeditação. Aquele homem reduzira-a a uma personagem de ficção, a uma caricatura de celuloide. E ela ia fazer-lhe exatamente o mesmo. Depois, iria acordar e libertar todas as pessoas em todas as salas.

Uma vez que Débora já tinha acordado e abandonado o filme, teria de usar “Célia” para exercer a sua vingança no mundo de ficção. Mas, primeiro, precisava de ligar Krad ao computador. O que significava que ele tinha de estar inconsciente tempo suficiente para ela se sentar em frente ao computador e escrever um desfecho apropriado para a nova personagem a que ele iria dar vida – um desfecho que iria refletir-se no mundo real. Ou assim esperava ela.

- Quem morre no filme – perguntou ela com pretensa inocência – morre na vida real?

- Sim – confirmou Krad.

- Ótimo - disse ela, antes de lhe desferir um murro diretamente no meio da testa que o enviou no expresso para o mundo dos sonhos.

Débora arrancou a ventosa da sua própria testa e colou-a na testa de Krad.

Depois, sentou-se e começou a escrever.

 

O ASSASSINO DOS DEDOS DOS PÉS, CENA 2

Krad, o diretor do jornal Notícias de Náutila, está sentado à secretária do seu gabinete, a fumar um charuto com um ar contemplativo no rosto. Alguém bate à porta e Krad responde com um grunhido. Entra Célia, a estagiária, com uma caneca fumegante na mão.

CÉLIA: Trouxe o seu chá, senhor Krad.

Krad acena com a cabeça em aprovação. O seu olhar demora-se no vale dos seios de Célia, que tem o topo da camisa desabotoado. Célia finge não reparar e pousa a caneca na secretária. Prepara-se para sair, mas Krad chama-a.

KRAD: Célia, espera. Senta-te um pouco.

Célia acede ao pedido. Os dois olham-se nos olhos por um momento.

KRAD: Não penses que me escapa o facto de que és a assistente mais formosa que já tive, Célia. Formosa o suficiente para te juntares ao meu negócio secundário.

Krad bebe um gole de chá e lambe os lábios.

CÉLIA: Em que consiste o seu... negócio secundário, Sr. Krad?

KRAD: Filmes.

CÉLIA: Que tipo de filmes?

KRAD: Aqueles que mostram o que uma mulher tem de melhor. O corpo. E todas as formas como esse corpo pode ser usado... e explorado. Altamente lucrativo. Estarias interessada?

CÉLIA: Gosta do meu corpo, Sr. Krad?

KRAD: Se gosto! Tiras-me o fôlego, Célia. Literalmente. Fico... mesmo... com... falta de ar.

Krad ofega de forma cada vez mais intensa. Os seus olhos esbugalham-se e espelham pânico. Ele tenta falar, mas já não consegue. Leva a mão à garganta. Célia levanta-se e está agora a rir.

CÉLIA: Gostou da infusão de beladona, Sr. Krad?

Célia retira um rolo de fita adesiva da gaveta da secretária e prende os braços de Krad às costas da cadeira. Depois, tira-lhe os sapatos e as meias enquanto Krad está imobilizado. De dentro do decote, tira um frasco de verniz e começa a pintar-lhe as unhas dos pés com vagar.

CÉLIA: Eu tenho um modus operandi muito específico. A minha próxima vítima ia ser a Débora. Ela estava muito perto de descobrir a identidade do Assassino dos Dedos dos Pés. Mas o Krad é uma morte mais satisfatória - como o veado que entra na linha de tiro quando se está a apontar a um coelho. O colar que ofereci à Débora na casa de banho tem um novo dono. E não se preocupe, Sr. Krad, o colar que farei a partir dos seus dedinhos terá como destino um beneficiário igualmente adequado. Ninguém morre em vão para a Assassina dos Dedos dos Pés. Cada morte... gera uma nova morte.

Célia tira de dentro do decote o colar de dedos dos pés que anteriormente oferecera a Débora, e coloca-o em volta do pescoço de Krad, que está já à beira da morte. Depois, também de dentro do decote, tira um alicate e começa a cortar os dedos dos pés do homem, que assiste, incapaz de reagir. Lágrimas impotentes escorrem-lhe dos olhos. Gotas de sangue escarlate salpicam os lábios encarnados de Célia.

CÉLIA: Esqueceu-se, Sr. Krad, que o corpo de uma mulher vem com um cérebro, um cérebro que evoluiu e se adaptou para lidar com o assédio, manipulação e opressão às mãos dos homens ao longo dos séculos. As mulheres são mais do que uma imagem para fazer delas o que quiser. As mulheres têm livre-arbítrio. E agora, porco misógino, diga-me... quem é a donzela em apuros?

 

Débora clicou em SUBMETER GUIÃO, e depois selecionou INICIAR PROJEÇÃO DENTRO DE... (inseriu manualmente o tempo) 5 MINUTOS.

Correu de volta para a sala de projeção. Pegou no microfone e, rezando que todos os espetadores ainda estivessem no edifício, declarou:

- Pede-se a comparência dos nossos excelentíssimos espetadores na sala de projeção para assistirem à nova versão reformulada de O Assassino dos Dedos dos Pés. Não vão acreditar no final!

Dominadas pela curiosidade, embora um pouco hesitantes, as pessoas voltaram a entrar na sala e sentaram-se. Débora sentou-se também, na primeira fila.

Muito em breve, todas as pessoas com uma ventosa colada na testa que estavam nas outras salas iriam recuperar a liberdade que lhes fora roubada (todos menos Krad, claro - esse não iria acordar nunca mais).

Mas primeiro... silêncio, que vai começar o filme.

 

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